Domingo. Domingo depois de um sábado-feriado. Alguém sem mala pode pedir algo pior que isso?
Aqui estou eu. Meu primeiro dia em Málaga. A noite foi complicada. Nada como uma festa no hostel pra não te deixar dormir. Barulhos à parte e vencida pelo cansaço, só vou dizer que essa noite me ensinou o verdadeiro sentido de dormir de "calça jeans" (afinal, na muda de roupa na mochila o que a gente leva? Jeans!).
Acordei bem cedo pra tomar café e pensei que, finalmente, alguma coisa iria dar certo quando o recepcionista disse que ia me mostrar onde havia um lugar para comprar itens de sobrevivência. Minha primeira impressão de Málaga é de uma cidade bonitinha. Me lembra um pouco Amsterdã. Só que as mulheres tem a péssima ideia de que vestidos tomara-que-caia ficam bem em todo mundo. Domingo aqui é bem calmo, todo mundo indo pra missa. Não sei como elas conseguem usar saltos tão altos. Eu, de all-star, tropecei umas três vezes no caminho até o hostel.
Estou bem no centro de Málaga, em uma plaza pequena perto de várias boates e bares. Nada como sentir que está bem sozinha e perdida. Não sei se alugo uma bicicleta, se arrumo um mapa - vou me perder de qualquer jeito por aqui! Amanhã a busca por apartamentos está oficialmente aberta!
Aceitar a ajuda do recepcionista foi a pior ideia do mundo. O ser humano não entende inglês e só "mais ou menos" de espanhol... Devia ter desconfiado de uma pessoa que trabalha só de noite no hostel. Muito simpático ele. Demais até.
Bem, todas as lojas estão fechadas. Os restaurantes são bem caros por aqui. Esse é o lado ruim de estar sozinha. Ter que tomar todas as decisões pode até fazer tudo ir mais rápido, mas às vezes você pode acabar sem fazer nada. Andar aleatoriamente pela cidade, ficar sem jantar, estar perdida. Não de localização, assim um mapa pode te ajudar. Estar perdida no sentido de não saber o que fazer. Ninguém para te ajudar ou para rir junto. É estar sozinha no meio de uma multidão, literalmente. Você não conhece ninguém e ninguém te conhece. O que pode ser feito? Talvez a solução seja realmente andar e só parar quando sentir fome.
domingo, 9 de setembro de 2012
Vou pular a parte de como tudo isso começou. Vou só deixar claro que foram meses e meses de preparação e preocupação. Aquele vai ou não vai, muito comum na vida de uma pessoa. Não por mim, mas por problemas e confusões universitárias - que deixarei à parte. Chegar à Espanha foi um processo complicado. Acho que bati algum recorde de vôos atrasados. Ainda no Rio, foram quase 3 horas de atraso. E, enquanto isso, crescia aquele misto de animação e saudade. Minha família esperou no aeroporto comigo por algum tempo e, a cada minuto, minha ansiedade só aumentava - e minha mãe segurava o choro. Não adiantou muito. A hora chegou e tive que passar para a sala de embarque. A parte difícil não é dizer adeus - você sabe que ainda vai conversar muito com as pessoas que conhece. O difícil mesmo é abraçar e saber que vai ficar longe de todo aquele conforto e carinho por, pelo menos, 6 meses.
Dormi a noite toda, meio espremida, meio desconfortável. Mas cheguei a Lisboa. O avião para Málaga deveria sair por volta das 13 horas, mas... Adivinha só!? O voo atrasou!! Foram tantas mudanças de portas de embarque e horários que acabei dormindo por ali mesmo. Pouco antes das 17 horas foi possível embarcar - em um avião minúsculo para 20 pessoas. Barulhos à parte - sim, é muito barulhento! - acabei dormindo de novo. Definitivamente dormir sentada em aviões e aeroportos não faz bem pra saúde.
Foram 2 horas e meia. Mas consegui!! Hora de pegar minha mala e meu mochilão e correr pro hostel! Mas, não podiam me deixar relaxar um pouco não é? O avião tinha limite de peso e as bagagens eram muitas e pesadas - resultado: ficaram em Lisboa. E, é claro, ninguém da companhia aérea avisou nada até todos correrem para o balcão de atendimento. Quando chegou a minha vez, já querendo matar um, descobri que o responsável já sabia que quase todas (as malas de uma família norte americana chegaram todas, que surpresa... umas 8 malas!) iriam ficar para trás. Meu mochilão chegou, para minha alegria - com praticamente todas as minhas roupas de inverno em um calor de 30°C!
Problemas e problemas... Quem diria! Cheguei justo no dia da padroeira da cidade! E, com tantos atrasos, justo na hora certa para a procissão pela cidade! Eu, minha mochila e meu mochilão (ainda embalado com aquele plástico de proteção) andando pela cidade. O táxi me deixou o mais perto que pôde. O que não foi muito perto. Só um detalhe sobre o centro de Málaga: sabe aquelas ruas quase medievais, pequenas e tortas que vão em todas as direções, mas nunca para onde você pensa que está indo? Isso aí. E ninguém sabia onde ficava a tal da plaza onde eu precisava chegar. Por um momento de descuido, até invadi um pouco a procissão - o que não foi nem um pouco legal. Quase uma hora depois de sair do táxi, estava de frente ao hostel, agradecendo a qualquer deus e qualquer santo por ter chegado.
Um quarto, 4 beliches. 8 garotas. No primeiro dia eramos apenas 3, o que não foi ruim. Pouca gente, pouco barulho. Com minha muda de roupa reserva na mochila consegui tomar um banho e trocar a roupa da viagem. Depois de avisar que estava viva e que, finalmente, tinha chegado foi o momento do meu merecido descanso. Sem a minha mala.
sábado, 8 de setembro de 2012
Viajar é difícil. Não é ruim, só complicado. É tanto tempo de preparação, tanta coisa para fazer. Em algum momento dá aquela vontade de largar tudo, não fazer mais nada, ficar em casa mesmo. Para mim foram muitos os momentos como esse. Não existe nada como viajar, conhecer outros lugares e pessoas. Mas fazer isso sozinha, em um país completamente desconhecido, com um língua estranha pode ser um pouco demais. Aflições à parte, aqui estou eu. Em Málaga, no sul da Espanha. Tentando descobrir pra qual lado fica o hostel.
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