Vou pular a parte de como tudo isso começou. Vou só deixar claro que foram meses e meses de preparação e preocupação. Aquele vai ou não vai, muito comum na vida de uma pessoa. Não por mim, mas por problemas e confusões universitárias - que deixarei à parte. Chegar à Espanha foi um processo complicado. Acho que bati algum recorde de vôos atrasados. Ainda no Rio, foram quase 3 horas de atraso. E, enquanto isso, crescia aquele misto de animação e saudade. Minha família esperou no aeroporto comigo por algum tempo e, a cada minuto, minha ansiedade só aumentava - e minha mãe segurava o choro. Não adiantou muito. A hora chegou e tive que passar para a sala de embarque. A parte difícil não é dizer adeus - você sabe que ainda vai conversar muito com as pessoas que conhece. O difícil mesmo é abraçar e saber que vai ficar longe de todo aquele conforto e carinho por, pelo menos, 6 meses.
Dormi a noite toda, meio espremida, meio desconfortável. Mas cheguei a Lisboa. O avião para Málaga deveria sair por volta das 13 horas, mas... Adivinha só!? O voo atrasou!! Foram tantas mudanças de portas de embarque e horários que acabei dormindo por ali mesmo. Pouco antes das 17 horas foi possível embarcar - em um avião minúsculo para 20 pessoas. Barulhos à parte - sim, é muito barulhento! - acabei dormindo de novo. Definitivamente dormir sentada em aviões e aeroportos não faz bem pra saúde.
Foram 2 horas e meia. Mas consegui!! Hora de pegar minha mala e meu mochilão e correr pro hostel! Mas, não podiam me deixar relaxar um pouco não é? O avião tinha limite de peso e as bagagens eram muitas e pesadas - resultado: ficaram em Lisboa. E, é claro, ninguém da companhia aérea avisou nada até todos correrem para o balcão de atendimento. Quando chegou a minha vez, já querendo matar um, descobri que o responsável já sabia que quase todas (as malas de uma família norte americana chegaram todas, que surpresa... umas 8 malas!) iriam ficar para trás. Meu mochilão chegou, para minha alegria - com praticamente todas as minhas roupas de inverno em um calor de 30°C!
Problemas e problemas... Quem diria! Cheguei justo no dia da padroeira da cidade! E, com tantos atrasos, justo na hora certa para a procissão pela cidade! Eu, minha mochila e meu mochilão (ainda embalado com aquele plástico de proteção) andando pela cidade. O táxi me deixou o mais perto que pôde. O que não foi muito perto. Só um detalhe sobre o centro de Málaga: sabe aquelas ruas quase medievais, pequenas e tortas que vão em todas as direções, mas nunca para onde você pensa que está indo? Isso aí. E ninguém sabia onde ficava a tal da plaza onde eu precisava chegar. Por um momento de descuido, até invadi um pouco a procissão - o que não foi nem um pouco legal. Quase uma hora depois de sair do táxi, estava de frente ao hostel, agradecendo a qualquer deus e qualquer santo por ter chegado.
Um quarto, 4 beliches. 8 garotas. No primeiro dia eramos apenas 3, o que não foi ruim. Pouca gente, pouco barulho. Com minha muda de roupa reserva na mochila consegui tomar um banho e trocar a roupa da viagem. Depois de avisar que estava viva e que, finalmente, tinha chegado foi o momento do meu merecido descanso. Sem a minha mala.
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